Sídera marcou época no futsal da região

A idéia de montar um time de futebol de salão surgiu em 1986 após uma conversa entre os amigos Volnei Stopazzolli e Fernando Guiguer. “Siderópolis tinha um time, mas o prefeito (Dilnei Rossa) chegava sempre arrasado na prefeitura. Era uma confusão e até buscar jogador de carro ele tinha que fazer”, explica Guiguer. Cansados de ver aquela cena resolveram criar a Associação Atlética Sídera. Montaram a diretoria sem que nem mesmo os membros fossem consultados e foram escolhidos 50 sócios. O primeiro presidente foi Itamar Manoel de Souza.

No primeiro jogo da história o Sídera goleou, em amistoso, a Perdigão, então um dos melhores times do Brasil. O jogo aconteceu no Ginásio de Esportes 19 de Dezembro e terminou 5 a 0, numa partida emocionante. Em 1986 o time não levou o título da Liga Amadora Criciumense (LAC). Com o péssimo desempenho uma briga geral entre a diretoria culminou numa mudança completa. Vários jogadores foram dispensados, troca da comissão técnica, até então comandada por Volnei Stopazzolli. Quem assumiu o time foi o diretor financeiro Fernando Guiguer, responsável pelas mudanças.

Em 1987 o técnico já era Valmir Fernandes, o Bebeu, e a partir de então o time começou a crescer, fazendo história e deixando, principalmente, saudade na memória de quem acompanhou a trajetória da equipe. O Campeonato da LAC daquele ano foi ganho de maneira indiscutível desde a primeira vitória, no dia oito de maio num espetacular 12 a 1 diante do Metropolitano, até a grande final contra o rival Siderópolis Clube, vencida por 1 a 0. O elenco tinha em 1987: Edson, Peninha, Magro, Rogério, Alexandre, Marcão, Clésio, Sabiá, Dedé, Furlan, Edinho, Quica e Pedrinho.

Em 1988 o fato de repetiu e o Sídera acabou novamente levantando a taça da LAC. Neste ano, devido ao sucesso do time de Siderópolis, o Criciúma Esporte Clube criou um time de futsal para a disputa da LAC. A rodada final aconteceu no dia dois de agosto. Enquanto o Criciúma recebia o Sídera no Colombo Machado Salles lotado, o Vera Cruz enfrentaria o Universitário no Ginásio de Esportes da SERVEC. Todos tinham chances de conquistar o título, sendo que o empate entre Criciúma e Sídera dava o campeonato ao vencedor do outro jogo. “Esse foi o jogo da história. É a melhor parte do que aconteceu naqueles anos”, comenta o ex-dirigente Fernando Guiguer. Não era para menos.

O Criciúma, comandado pelo radialista Clésio Búrigo, abriu logo 3 a 0, e o 4 a 1 no segundo tempo indicava o campeão, certo? Errado. Edinho e Marquinhos abriram o placar. O 3 a 0 veio no início da segunda etapa.. Aos quatro minutos Dedé descontou para o Sídera, mas três minutos depois Marquinhos novamente ampliou a vantagem de Criciúma, 4 a 1. “Eles já estavam comemorando. A imprensa começou a dar o Criciúma como campeão. Teve apenas um comentarista, que não recordo o nome, que dizia que ainda faltava muito jogo e que do outro lado estava o Sídera. Ele tinha razão”, comenta o então presidente Itamar de Souza.

Depois disso o time de Bedeu foi só pressão e marcou aos 13 com Dedé e aos 15 com Aldo. Na seqüência uma bobeira do Criciúma e Adílio marcou contra, 4 a 4. O resultado dava o título para o Vera Cruz que fazia 4 a 1 no Universitário. Mas faltando apenas 30 segundos para o final Keka definiu o placar e o campeão daquele ano, Sídera 5 a 4, numa virada fantástica num dos melhores regionais de todos os anos. A quadra foi invadida pela massa de torcedores que estava no ginásio e o alvoroço começou. “O Clésio não acreditava no que tinha acontecido. O Criciúma ficou tão perplexo que fechou as portas e só foi fazer time novamente anos depois”, comenta Guiguer. Ainda em 1988 o time disputaria a Divisão Especial do Campeonato Catarinense que reunia equipes do naipe de Perdigão, Sadia, Embraco, Colegial, Sulfabril e Elase.

Mudanças na política de Siderópolis fizeram com que o projeto fosse levado para Criciúma no ano seguinte. Então, em 1989, o elenco do Sídera treinava no Ginásio da Próspera, na Praça da Chaminé. Antes disso, ainda em 1988, a falta de patrocínios ameaçou o fim do time, mas a FIBA, do Grupo Fidelis Barato, resolveu bancar a equipe. Apesar de estar fora de Siderópolis o time foi novamente campeão da LAC. Tricampeão para ser mais exato. A última partida do clube foi naquele ano e também entrou para a história. Era a inauguração do Ginásio de Esporte do SESC, em Criciúma. O adversário era o forte time do Banespa, recém chegado de uma excursão feita ao Japão. Placar final, Siderópolis 3 a 0.

Histórias

No primeiro jogo do Sídera contra o Siderópolis Clube, que existia há alguns anos, a tensão era total. Temendo que o ginásio 19 de Dezembro estivesse tomado somente por torcedores do Siderópolis, a diretoria do Sídera foi até Lauro Muller atrás de uma banda para fazer barulho. Chegando lá, um dos músicos trabalhava num banco e demoraria para sair. O jogo estava por começar. Assim, voltaram para Siderópolis e deixaram o dinheiro para a locomoção. “Quando a gente entrou percebeu que não tinha tanta gente assim torcendo para eles. Era meio a meio”, comenta Fernando Guiguer. A bola já estava rolando quando aponta na porta de entrada do ginásio um trompete em alto e bom som. A banda acabava de chegar e ao som das marchinhas da época o Sídera fez 8 a 0 no rival. Após a partida foram todos jantar no famoso restaurante da cidade, o Radichão. De um lado os jogadores do Siderópolis Clube. Do outro, os vencedores da noite, o Sídera. Para provocar, a diretoria do Sídera colocou uma televisão e o vídeo do jogo foi passado para todos.

Criciúma sediou em 1987 os Jogos Abertos de Santa Catarina (JASC). Siderópolis estava representada pelo time do Sídera, que dividia umas das chaves finais com Tigre/Joinville, Itajaí e Canoinhas. O primeiro jogo terminou com vitória do Sídera, 3 a 2 sobre Itajaí. Depois da partida todo o elenco foi levado para a Praia do Rincão e ficou concentrado nas casas de dirigentes do time. No dia seguinte derrota para Joinville, 3 a 2. O time do litoral norte catarinense já havia goleado Canoinhas e era o favorito ao título. Percebendo que o Sídera poderia incomodar nas semifinais, a diretoria do time chegou a conclusão de que no último jogo Joinville entregaria resultado para Itajaí, fazendo com que o Sídera ficasse de fora. Foram então consultar o regulamento e descobriram no fim da página um artigo que mudava toda a história. O critério de desempate seria o saldo de gols. No entanto, caso o empate fosse entre três equipes, os gols marcados contra o time eliminado não contariam. Mas quem lê o regulamento? O time de Joinville, que já era comandado por Fernando Coelho, o Ferreti, também não havia lido. O jogo realmente foi facilitado para Itajaí, e faltando um minuto para o final da partida, o dirigente Fernando Guiguer avisou alguém dentro da quadra sobre o regulamento. Ferreti entrou em parafuso e tentou correr atrás do prejuízo. Mas já era tarde. Itajaí venceu e garantiu classificação com o Sídera. Nas semifinais derrota para Concórdia, 4 a 3. Na disputa pelo terceiro lugar Siderópolis venceu Lages e ficou com a medalha de broze.

O time do Sídera realizou inúmeras inaugurações de ginásio pela região. Um destes jogos festivos aconteceu em Treviso, na inauguração do Ginásio Clóvis Bernardini. O adversário era o Corinthians, um dos maiores clubes do país e que acabou goleando por 6 a 1. Depois da festa, os corintianos confessaram: “A gente imaginou que fosse mais perto a distância até aqui. Se soubéssemos que era isso tudo não teríamos vindo”. O Ginásio João Cascaes, no Bairro Rio Fiorita, em Siderópolis, foi inaugurado com a vinda para amistoso do time do Internacional de Porto Alegre.

Fontes:

Arquivo pessoal: Carlos Feltrin (Péia)

Carlos Feltrin (Péia)

Rogério Feltrin (Roy)

Fernando Guiguer

Itamar Manoel de Souza